sexta-feira, 21 de dezembro de 2012



Presépio de Vidro

Esta semana fui a uma exposição de Presépios na Matriz São Pedro Apóstolo na cidade de Gaspar-SC. Coloquei os meus pés na sala com muito respeito, porque desde o corredor que antecedia a exposição havia uma profunda paz, talvez ou provavelmente, por ocorrer dentro de um templo. Eu estava esperando ver “o mesmo” em presépios e surpreendi-me! Haviam cerca de quinze presépios diferentes, feitos ou adquiridos por diversas entidades religiosas ou não e até mesmo de coleções particulares. Vê-los foi um misto de nostalgia da infância e transe artístico-espiritual. Vi-me em cenas que eu pensava já perdidas na memória, quando eu tinha quatro anos, minha irmã mais nova, três e minha irmã mais velha, sete. Ajudávamos minha mãe a colher as pinhas das araucárias, ainda abundantes na região em que eu nasci (Serra Catarinense) para depois pintá-las com tinta metalizada prateada ou dourada para confeccionar arranjos de mesa e guirlandas de Natal. Quando retirávamos as caixas, cobertas de poeira e algumas teias de aranha, do porão e íamos desdobrando todos aqueles enfeites, e remontando a oito mãos a árvore de Natal.
Meus pais tinham um pinheiro, que para mim foi o mais marcante, feito daquele material dos antigos festões que eu não sei especificar o nome, na cor verde metálico. As bolinhas eram de vários tamanhos e de diversas cores todas de um vidro muito fino pintado. Delicadíssimas, frágeis e perigosas. Minha mãe nos auxiliava, nos ensinando a ter cuidado. A estrela que ia no alto da árvore era multicolorida, de várias pontas com uma mais alongada para baixo, linda! E o pisca-pisca também colorido, piscava, piscava, fazendo os meus olhos se encherem de esperança, sem saber por quê? O reflexo dos nosso rostos, meus e de minhas irmãs nas bolinhas, piscando, piscando. A resposta das luzinhas coloridas em nossos rostos, piscando, piscando...
O nosso presépio, sempre depositado ao pé da árvore, era pequeno, de resina, ou gesso, talvez. Eu ficava a olhar as ovelhinhas, a vaquinha e o cavalinho a velar por Jesus tão pequenininho na manjedoura. Queria pegá-las (as peças do presépio) na mão, e quando minha mãe não estava por perto, eu pegava mesmo! Era como uma casinha de bonecas, porém sagrada. Os três reis magos eram os meus preferidos, ficava por longos minutos a olhar as suas roupas coloridas, tentando identificar o que eles traziam nas mãos. De Maria e de José, eu observava as vestes longas, ele com semblante feliz e um pouco cansado, vestia marrom, ela com a serenidade sublime de mãe a resplandecer no seu rosto, exaltado pelo véu branco e azul cobrindo os seus cabelos. E o pequenino, Jesus, o bebê sobre as palhas, era feliz, simplesmente, com os bracinhos abertos, esperando o primeiro abraço. Esta foi a parte nostálgica, que entrou em êxtase vendo os presépios feitos de juta, papelão, fibra de bananeira, resina, gesso, tecido, isopor e... Surpreendentemente, o vidro! Isto mesmo, os animais, os reis magos, Maria e José, feitos de cacos de vidro e espelho!
Aquilo chocou-me! Cheguei a dar um passo para trás... Susto, medo, para observar melhor? Observei, dei um passo, dois de retorno e pela vitrine que antecedia aquela arte, vi o presépio através dos cacos. A cena do nascimento de Jesus, numa beleza que eu nunca tinha visto antes. Os personagens brilhavam, o chão inteiro forrado grossamente de cacos de vidro e espelho, como dunas translúcidas permeando o que era infinito. Ao fundo, nas paredes, um tecido verde com fios prateados, que refletia nos espelhos quebrados, reforçando ainda mais a plenitude da imagem. Os cacos de vidro da delicadeza  e da esperança do momento, em que nascia o Salvador e Guia Maior do nosso mundo! Os cacos de vidro da pureza transparente daquelas almas, os atores principais: pai, mãe e filho (de Deus)! Os cacos de vidro que aliado à cruz e espinhos dilaceraram aquele mesmo coração, quando cumpriu, muito mais do que uma missão, aos trinta e três anos de idade! Os cacos de vidro que nós, seus irmãos, lhe oferecemos por mais de dois mil anos, até hoje, com a nossa violência atroz e egoísta! Os cacos de vidro que com um pouco de “cola amorosa” ainda podemos juntar para refazer o nosso caminho em direção à nossa verdadeira natureza: a do Amor que nos criou!
Lágrimas cortantes como vidro começaram a descer dos meus olhos... Crescemos e nos esquecemos do verdadeiro sentido do Natal, vemos tanta coisa pronta, mal feita e articulada e nos deixamos levar pelo trem acelerado de nosso dia-a-dia mortífero. Esquecemos que o instante que temos hoje é um pequeno pedaço de vidro finíssimo e delicado que contém a possibilidade única de nos tornar mais que apenas uma semelhança.

(Karine Alves Ribeiro - Dezembro de 2012 - texto a ser publicado no Jornal Metas - Gaspar - SC no Caderno Especial de Natal 22/12/2012)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

MINHA PRIMEIRA PREMIAÇÃO LITERÁRIA









Estive no último dia 10 de novembro em Fortaleza-CE para receber o meu primeiro prêmio Literário. Conquistei o 1º LUGAR EM MENÇÃO HONROSA na categoria CRÔNICA (o tema foi pré-estabelecido: Gratidão), fui a única escritora de todo o Sul do Brasil a estar entre os dez vencedores. Quero agradecer a todos os membros da Academia de letras e Artes do Ceará, promovedores do Concurso, e em especial ao Exmo Senhor Presidente da ALACE Zelito Nunes Magalhães e à Exma Senhora Vice-Presidente desta entidade, Maria do Socorro Cavalcanti, organizadora do Concurso, oficialmente, pela oportunidade ímpar que me foi proporcionada, estando entre os vencedores do II CONCURSO NACIONAL ALACE VALORIZA A CULTURA.


O poema a seguir, surgiu em agradecimento a todo o ensejo que ocorreu no último dia dez de novembro, no Palácio da Luz, bem como a todo o percurso do concurso, ao qual me propus participar. Nunca esquecerei todo aquele certame, devido ao enorme carinho, com o qual me receberam, como se fosse alguém muito especial, quando apenas estou iniciando o meu caminho literário e tenho muito, muito a aprender com escritores daquele quilate.

"1ª Menção Honrosa para a flor de Santa Catarina



As palavras que nem sempre aparecem,
mas que me seguem, sutilmente,
enquanto não vejo florir;
vieram-me como um sopro lunar:
Mãe, filha - História maternal;
palavras e cores, puramente - a escrita principal.

Forças que me movem,
nuvens que me pairam.
Meu início e meu sonho...
A tudo isso, eu sou grata,
São a crônica que componho.

Santos ALACEANOS!
Primorosos e loquazes,
de Literatura admiráveis;
diamantes simplificados
em cortesia e honradez.

Receberam-me numa grande festa;
com direito à música sublime, discursos,
Cangaço e Lampião.

Quanta felicidade,
quanta emoção!
Lágrimas que vieram aos olhos
Orgulho em gotas de orvalho
Graças ao “Mar da Gratidão”."


Karine Alves Ribeiro (escritora - 1º lugar em Menção Honrosa – categoria Crônica - no II Concurso Nacional ALACE Valoriza a Cultura – Edição 2012)
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O que é arte? - GRUPO ARTE NASCENTE (GAN) - GOIÁS

O que é arte? - http://www.gan.com.br

Texto referente ao estudo realizado no dia 19/03/2011, produzido pela associada do Grupo Arte Nascente Anna Rita Ferreira Araújo*
alt Você já parou para pensar nessa questão? É bem possível que você já tenha se feito essa pergunta. Mas, a resposta, você já conseguiu definir? É possível que não, ou, pelo menos, ficou um pouco confuso(a). Afinal, o que é arte?
Arte no latim ars significa técnica ou habilidade. Geralmente pode-se entender como arte toda manifestação humana de ordem estética, entendendo por isso a necessidade de ordenar os objetos e ações dentro de um conceito de plasticidade (daquilo que nos parece belo, organizado e funcional, mesmo que para os olhos dos outros não o pareça).
Mas existem manifestações humanas que não estejam impregnadas da ordem estética?
O autor e historiador de arte E. Gombrich (1978) diz que “nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas”. Considerando essa afirmação, podemos refletir que não são os objetos, mas sim os sujeitos que devem ser compreendidos como produtores da arte e que todo o trabalho e ação pode vir a ser arte. Poderíamos ir mais além e pensar que, em sendo assim, todo mundo é um artista. E não estou sendo nada original aqui, já que esta afirmação já foi feita por Joseph Bueys importante artista alemão contemporâneo. Outro artista americano, Andy Warhol, foi ao extremo expondo em suas obras de arte, embalagens de sopas, caixas de sabão e outros objetos e imagens da sociedade de consumo americana.
Onde fica, diante desse desafio que a arte contemporânea nos coloca, a diferenciação entre “tudo e todos” e aquilo que comumente é chamado de arte, que são os produtos oriundos das ações humanas nas áreas das artes visuais, da música, da dança e do teatro?
Tal diferenciação é o que ocupa o centro das teorias e estudos da arte e da estética . Para tentarmos aproximar de uma definição, se é que é possível, vamos partir de algumas teorias essencialistas. Pois estamos buscando aquilo seria comum aos objetos artísticos e que poderiam nos apontar para uma possível diferenciação.
Algumas teorias essencialistas mais antigas diziam que uma obra é arte só se for uma imitação e produzida pelo homem. Desta definição derivaram as concepções mais clássicas que viam na obra de arte a sua qualidade e valor quando esta representava com precisão e habilidade as imagens do mundo.
Porém uma teoria como esta encontra muitos obstáculos, pois há várias obras de arte que não são imitação de nada, como por exemplo, as obras não figurativas.
Outra teoria essencialista, já do período romântico, mas até hoje ainda muito aceita, definia que uma obra só seria arte se exprimisse os sentimentos e as emoções do artista. Sendo assim uma obra é melhor e mais valorada quando consegue exprimir os sentimentos do artista que a criou.
Mas como ficam as obras que não nos causam esse tipo de sensação ou mesmo não transmitem a expressividade do artista, como no caso das obras altabstratas? Não seriam obras de arte?
As teorias formalistas, se opondo ao conceito de expressão, afirmaram o conceito de produção. Umberto Eco(1986) defende que a definição do objeto estético está na análise do processo interpretativo da forma e que cada obra de arte tem suas próprias regras compositivas, que a faz aberta às diferentes interpretações realizadas pelos expectadores. Analisando Pareyson, que formulou a teoria da formatividade, destaca de seu pensamento que “a vida humana é invenção e produção de formas, que exigem as descobertas de formas de produção próprias”. Para os formalistas, as obras possuem uma forma significante, que, tirando o foco do conteúdo da obra, buscam a definição naqueles que apreciam a arte. Compreendem que não é na obra que devemos procurar o que é ou não arte, mas sim naquilo que ela pode causar em nós, na emoção estética que temos ao fruí-la.
Nessas três linhas teóricas apresentadas, percebemos: num primeiro momento o foco da busca de definição da arte no objeto em si; num segundo momento temos este foco voltado para o artista, sendo este, aquele que é capaz de criar os objetos da arte; e num terceiro momento o foco está no apreciador da obra, ficando para este a palavra final sobre o que é e o que não é arte.
Compartilho com Argan (1994) adepto da teoria formalista, quando este nos diz que o conceito de arte não se define, pois ele sempre estará ligado a um tipo de valor. “Este está sempre ligado ao trabalho humano e às suas técnicas e indica o resultado de uma relação entre uma atividade mental e uma atividade operacional”.
Aqui cabem inúmeras obras da atividade humana que resultam dessa relação, mas o que define um objeto como objeto artístico é justamente a sua “forma” e a consciência de quem a recebe que a julga como tal. É a relação de significante e significado. Aquilo que para uma cultura pode ser considerado como objeto artístico, para outra não o é e vice-versa. É por isso que ao tratarmos de arte sempre a ligamos à cultura, pois é na cultura que a arte se manifesta como um objeto que reflete essa cultura e, ao mesmo tempo, é essa cultura que afirma e dá ao objeto o status de arte.
Quando se consegue estabelecer critérios de classificação e valor para a arte, é possível definir os objetos artísticos. Tal definição passa pela história, pela cultura e por nossa percepção subjetiva e objetiva.
Notas:
[1] Estética (do grego αισθητική ou aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objecto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como as diferentes formas de arte e do trabalho artístico; a idéia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. (http://pt.wikipedia.org)
Referências:
ARGAN, Guilio C. e FAGIOLO, M. Guia de História da Arte. 2ª ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1994
ECO, Umberto. A definição da arte. Lisboa: Edições 70, 1986
FISCHER, Ernest. A Necessidade da Arte.  9 Ed. Rio de Janeiro: LCT, 2002.
GOMBRICH, E. H. A história da arte. 4ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988.

*Anna Rita é mestre em Artes pela USP, professora da Faculdade de Educação da UFG, doutoranda em Ensino/Aprendizagem da Arte pela USP e estagiária do Grupo Arte Nascente desde 2009.

sábado, 8 de setembro de 2012

Revista Suplemento Literário a Ilha - Edição Setembro 2012

A revista literária do Grupo Literário A ILHA (do qual faço parte) chega a sua 122ª edição. Nesta edição, homenagens a Jorge Amado, pelo centenário de seu nascimento neste ano.

Visite o portal do Grupo Literário A ILHA – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br e confira. Muita prosa e muita poesia, muita informação literária e cultural.


"O ANJO"





http://filmeoanjo.blogspot.com.br/




O Filme “O ANJO” 

Eu tive o privilégio de assistir à pré-estreia do Filme O ANJO – Os laços de amor são eternos”, exibido no Shopping Neumarkt, durante a I Mostra ABRARTE-Sul em Blumenau, no dia 7 de setembro. O filme foi produzido pelo também roteirista do filme: Marcelo Niess. A estória narra o desespero de um casal ao perder seu único filho num acidente. Nos leva aos corredores escuros das almas que veem morrer um ente querido tragicamente. Fazendo-nos sofrer com eles, chorar com eles e até mesmo entendermos a revolta que eles passam a ter com Deus, em face de tamanha dor. Mas o filme é mais do que lágrimas suscitadas e lenços de papel, nos desperta a compaixão por aqueles dois seres humanos e suas provações dolorosas, nos faz olhar para o tempo, como chance lancinante de mudança e cura, nos faz, finalmente lembrar de que nada, nada acontece sem que Deus abençoe e que o amor é a única força que nos faz acordar em paz para continuar. O filme “O ANJO” é muito maior do que a pouca ou nenhuma verba que tiveram para produzi-lo, é um facho latente de luz Divina, a encantar e fortalecer quem assiste.
O filme estreará somente em maio de 2013, no cinema e em DVD, se com a graça de Deus conseguir patrocínio para isto. Faço assim, um apelo aos empresários que queiram apoiar a divulgação de uma mensagem espiritual de luz e paz, através da arte da dramaturgia blumenauense - de pessoas sérias, profissionais e dedicadas que, por amor, encenaram a estória e por amor, gostariam muito de ver este presente cinematográfico, acessível a quantos olhos e corações vossa generosidade possa permitir.

(Comentário feito por Karine Alves Ribeiro – escritora – setembro de 2012)